{"id":13023,"date":"2020-09-30T11:36:54","date_gmt":"2020-09-30T14:36:54","guid":{"rendered":"https:\/\/corelaw.com.br\/direito-imobiliario-o-recurso-especial-1-814-643-e-suas-implicacoes-na-alienacao-de-imoveis\/"},"modified":"2021-10-05T17:09:09","modified_gmt":"2021-10-05T20:09:09","slug":"direito-imobiliario-o-recurso-especial-1-814-643-e-suas-implicacoes-na-alienacao-de-imoveis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/corelaw.com.br\/en\/direito-imobiliario-o-recurso-especial-1-814-643-e-suas-implicacoes-na-alienacao-de-imoveis\/","title":{"rendered":"[Direito Imobili\u00e1rio] Procura\u00e7\u00e3o que n\u00e3o cita expressamente o im\u00f3vel \u00e9 v\u00e1lida para vend\u00ea-lo?"},"content":{"rendered":"<div class=\"vc_row wpb_row vc_row-fluid tm-row-textcolor-default tm-row-bgtype-default tm-custom-46309\">\n<div class=\"tm-bg-overlay\"><\/div>\n<div class=\"wpb_column vc_column_container tm-col-textcolor-default tm-col-bgcolor-default vc_col-sm-12\">\n<div class=\"vc_column-inner\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column wpb_content_element\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em outubro\/2019 foi decidido pela 3\u00aa turma do STJ que procura\u00e7\u00f5es devem conter previs\u00f5es espec\u00edficas para que seja poss\u00edvel a aliena\u00e7\u00e3o de bens. A quest\u00e3o surgiu a partir de uma a\u00e7\u00e3o declarat\u00f3ria que pedia a anula\u00e7\u00e3o da venda de um im\u00f3vel feita pelo irm\u00e3o do propriet\u00e1rio, o qual possu\u00eda procura\u00e7\u00e3o, para uma empresa da qual o irm\u00e3o era s\u00f3cio, e ele mesmo \u2013 o propriet\u00e1rio \u2013 n\u00e3o teria recebido nada pela opera\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O argumento utilizado para defender a nulidade da aliena\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel foi de que houve v\u00edcio de consentimento, pois o que foi determinado na procura\u00e7\u00e3o, a qual concedia poderes para aliena\u00e7\u00e3o de qualquer im\u00f3vel localizado no territ\u00f3rio brasileiro, n\u00e3o era suficiente para cumprir os requisitos do Art. 661, \u00a71\u00ba, do C\u00f3digo Civil.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Isso porque o Art. 661, \u00a71\u00ba, do C\u00f3digo Civil, determina que a procura\u00e7\u00e3o s\u00f3 confere o poder de alienar, hipotecar, transigir ou praticar qualquer ato que ultrapasse a simples administra\u00e7\u00e3o dos bens, em caso no qual os poderes para exercer tais atos foram expressamente definidos.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O ju\u00edzo de 1\u00ba grau julgou a a\u00e7\u00e3o procedente, declarando a nulidade da procura\u00e7\u00e3o. No entanto, o TJ\/SP entendeu que a procura\u00e7\u00e3o fornecia os poderes espec\u00edficos exigidos para a aliena\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel, sob o argumento de que mesmo que tenha havido uma \u201cquebra de confian\u00e7a\u201d entre ambas as partes, isso n\u00e3o seria suficiente para a anula\u00e7\u00e3o da venda, segundo decis\u00e3o do TJ\/SP.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A ministra Nancy Andrighi, por sua vez, ao julgar o recurso especial discordou da decis\u00e3o do TJ\/SP. Segundo sua justificativa, os poderes expressos na procura\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o espec\u00edficos, por n\u00e3o identificar expressamente o bem alienado, n\u00e3o permitem a aliena\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel particular em quest\u00e3o. Por tal raz\u00e3o, n\u00e3o seria suficiente para cumprir os requisitos da especialidade prevista do C\u00f3digo Civil que exigem poderes expressos e especiais para venda.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com decis\u00e3o un\u00e2nime da 3\u00aa turma do STJ, foi restitu\u00edda a senten\u00e7a, declarando a nulidade da escritura p\u00fablica de venda e compra do im\u00f3vel, deixando expressa a necessidade de se determinar com clareza os poderes concedidos pela procura\u00e7\u00e3o para que a aliena\u00e7\u00e3o de um bem possa ser feita, com o objetivo de proteger o outorgante de quaisquer atos e preju\u00edzos que possam ser causados por n\u00e3o ter seu consentimento.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Diante disso, se de um lado a decis\u00e3o objetiva dar maior seguran\u00e7a nas rela\u00e7\u00f5es negociais de modo a evitar simula\u00e7\u00f5es, por outro lado h\u00e1 uma maior limita\u00e7\u00e3o de vontade das partes que, por muitas vezes, outorgam procura\u00e7\u00e3o mais abrangente em raz\u00e3o da aus\u00eancia por longos per\u00edodos e sem informa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas sobre o Im\u00f3vel por ainda n\u00e3o possu\u00edrem, no entanto, a decis\u00e3o proferida no Recurso Especial afasta tal possibilidade, levando os adquirentes de im\u00f3veis nessa situa\u00e7\u00e3o sempre avaliarem o risco na aquisi\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"tm-last-div-in-row\"><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em outubro\/2019 foi decidido pela 3\u00aa turma do STJ que procura\u00e7\u00f5es devem conter previs\u00f5es espec\u00edficas para que seja poss\u00edvel a aliena\u00e7\u00e3o de bens. 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